quinta-feira, 22 de abril de 2021

Barroso bate-boca com Gilmar e Lewandowski em julgamento de Moro

O ministro do STF, Luís Roberto Barroso, teve um discussões acaloradas com Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski no julgamento da suspeição de Sergio Moro. Barroso votou contra a suspeição ao contrário de seus dois colegas.

Sessão virtual do STF

Barroso discutiu com Ricardo Lewandowski, que votou pela suspeição de Moro.

“Ministro Lewandowski, me permite: Vossa Excelência acha que o problema então foi o enfrentamento da corrupção, e não a corrupção?”

Em resposta a Barroso, Lewandowski criticou as as prisões preventivas “alongadas” durante a investigação e usou as mensagens roubadas de procuradores para atacar a Lava Jato.

“Pode ser [prova] ilícita, mas enfim, foi amplamente veiculada e não foi adequadamente, ao meu ver, contestada”, disse Lewandowski.

Barroso voltou a criticá-lo:

“Mas, então, o crime compensa para Vossa Excelência”, disse.

Após Gilmar Mendes pedir a palavra e criticar a decisão de Edson Fachin de enviar ao plenário o caso ao plenário, mesmo após a Segunda Turma ter decidido pela parcialidade do ex-juiz, Barroso iniciou uma discussão com o colega:

“O processo estava sob minha vista. Não cabia ao relator pedir adiamento. Portanto, cabia a mim colocar o processo para julgamento”, disse Gilmar Mendes.

Barroso disse então que se havia divergência entre o Edson Fachin e turma cabia ao plenário resolver:
“Se os dois órgãos têm o mesmo nível hierárquico, um não pode atropelar o outro”, disse Barroso.

“Talvez isso no Código do Russo”, rebateu Gilmar Mendes, referindo-se a Moro.

“Não precisa vir com grosseria. Existe no código do bom senso. Se um colega acha uma coisa e outro acha outra, é um terceiro que tem de decidir. Vossa Excelência sentou na vista durante dois anos e depois se acha no direito de ditar regra para os outros”, respondeu Barroso.

Gilmar rebateu: “O moralismo é a pátria da imoralidade”.

“Nada de moralismo, é só respeitar as regras”, afirmou Barroso. “Não tem moralismo nenhum. Vossa Excelência cobra dos outros o que não faz.” “Fica criticando o ministro Fachin depois de ter levado dois anos com o processo embaixo do braço, esperou a aposentadoria do ministro Celso, manipulou a jurisdição. Ora, depois vai e acha que pode ditar regra para os outros.”

“Vossa excelência perdeu, perdeu.”, disse Gilmar Mendes.

“Vossa Excelência não tem esse papel. Absolutamente. Está errado”, disse Barroso.

Fux, que já havia tentado encerrar a sessão, interrompeu a discussão. “Me perdoem, não gosto de cassar a palavra de ninguém, não gosto de cassar as palavras dos colegas, mas está encerrada a sessão.”

No julgamento, o plenário confirmou a suspeição de Sergio Moro que havia sido declarada pela Segunda Turma. Ainda faltam os votos de Marco Aurélio e Luiz Fux. O julgamento seria retomado na próxima quarta, mas Marco Aurélio, que pediu vista e não há data para voltar.

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